Para Ler / 28 Novembro, 2025

Partitura · Dezembro 2025

Agenda de Dezembro de 2025

Se quisermos ter uma ideia da importância da música para o Natal, basta que imaginemos como seria um Natal sem música. O brilho das luzes, dos enfeites e dos olhos das crianças, o calor dos abraços, a alegria dos sorrisos, o entusiasmo de desembrulhar as prendas, tudo isso se empalideceria sem as melodias que levam o espírito da quadra a todos os corações. É, pois, com um gratificante sentido de missão que a Casa da Música, ano após ano, dedica ao Natal o seu último festival da temporada.

Pela mão do Coro Casa da Música, viajamos até paragens inusuais nesta época, escutando obras que fazem o Natal dos trópicos, escritas em vários idiomas. A Orquestra Sinfónica traz-nos um programa recheado de fantasia e aventura, com um dos grandes bailados de Tchaikovski, O Quebra-Nozes, entre uma partitura de John Williams para o primeiro filme da saga de Harry Potter e um excerto da ópera Noite de Natal, de Rimski-Korsakoff. E, por fim, a Orquestra Barroca, na companhia dos nossos coros adulto e infantil, interpreta o Magnificat de Telemann, um monumento musical evocativo da escolha divina de Maria para mãe de Jesus.

Um pouco como as luzes que piscam na árvore, concertos de Natal vocacionados para famílias vão despontando ao longo do mês. Um deles reúne o Coro Infantil Casa da Música e os Jovens Cantores de Guimarães em torno de repertório natalício que nos leva de Portugal ao Havai, com passagem por Israel. Um outro, de cariz educativo, convida-nos a descobrir, de pijama vestido, a magia da espera pelos presentes, celebrando os momentos partilhados e o calor das canções. E há ainda os tradicionais concertos escolares, este ano a cargo de diferentes formações do Conservatório de Música do Porto, da Academia de Música de Costa Cabral e do Grupo Musical da Mocidade Perosinhense.

Fora do sapatinho, são também muitas as prendas que dezembro nos reserva. Em datas distintas, a Orquestra Sinfónica apresenta um programa com obras de profundo significado existencial assinadas por Richard Wagner, Hans Werner Henze e Johannes Brahms e um outro que associa os Quadros de uma Exposição de Mussorgski ao capítulo final das residências artísticas de Liza Lim e João Carlos Pinto na Casa da Música. Já o Remix Ensemble recupera a última peça orquestral de Frank Zappa, Yellow Shark, estreada em 1992 pelo Ensemble Modern sob a direcção de Peter Rundel, que é também o maestro deste concerto.

A Orquestra Jazz de Matosinhos homenageia o legado do icónico clube nova-iorquino Vanguard Jazz Orchestra, ao passo que a ESMAE Big Band, formada por alunos de jazz da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, nos dá a escutar um esboço do futuro do jazz em Portugal.

Entre nomes representativos de diferentes contextos estéticos podemos destacar ainda os Wardruna e a sua sonoridade mística oriunda das profundezas da floresta norueguesa, além de um heterogéneo contingente nacional que vai da Banda Sinfónica Portuguesa (com a soprano Sílvia Sequeira) aos UHF, passando por tributos de Cristina Branco a José Afonso e de José Peixoto & Nuno Cintrão a Carlos Paredes, sem esquecer os 20 anos de carreira de Noiserv e os 30 de Tara Perdida, assim como concertos especiais de Rui Massena, Delfins, Buda Power Blues ou Klin Klop.

Descubra tudo nesta Partitura, incluindo as sempre vibrantes atividades educativas, e celebre connosco a magia da música que caminha encantada para o Natal.

Boas Festas!

TÓNICA

Quem era Frank Zappa (1940-1993)? Por ocasião da sua morte, os media norte-americanos chamaram-lhe músico de rock, famoso por canções elaboradas e não convencionais com letras atrevidas, pela crítica à indústria musical, ao sistema educacional e à cena política, pelos atritos com a Igreja e com a polícia, e ainda por ter sido banido de estações de rádio. Mas havia muito mais, nem sempre captado pela lente mediática. Naquela “massa ambulante de contradições” (palavras de Ruth Underwood) pulsava uma visão criativa de uma abrangência que ainda hoje desconcerta, avessa a subterfúgios, da qual brotou um legado tão absolutamente livre quanto refletido, tão multifacetado quanto coerente e pessoal.