Para Ler / 3 de Maio, 2025

Partitura · Maio 2025

Agenda de maio de 2025

São estrelas do futuro aquelas que iluminam o caminho para um novo ciclo na vida da Casa da Música, cumpridas que foram as celebrações do seu 20.º aniversário. Nada mais apropriado, e inspirador, do que entrar em maio com o programa ECHO Rising Stars, reabrindo a caixa mágica de onde, a cada ano, sai uma nova constelação de jovens artistas, apontados ao céu da música pelas mais importantes salas de concerto da Europa. Fixemos os nomes desta edição: Sào Soulez Larivière, violetista franco-neerlandês de enorme virtuosismo que tem vindo a expandir, com surpreendente ousadia, o repertório para o seu instrumento; Matilda Lloyd, trompetista britânica cuja mestria, vertida em subtileza, fluidez e expressividade, não cessa de impressionar crítica e público; Benjamin Kruithof, violoncelista luxemburguês, vencedor de várias competições internacionais, entre as quais o prestigiado Concurso Georges Enescu (Roménia); e, finalmente, Carlos Ferreira, português que ocupa o cargo de Clarinete Principal na Orquestra Nacional de França e, para orgulho do nosso país, é já considerado um dos mais proeminentes clarinetistas da atualidade.

Ao ideário da juventude estão também ligados dois dos concertos que preenchem a agenda mensal da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música. O primeiro deles, integrado na Série Famílias, folheia o livro de ouro do repertório para se deter na página de Pedro e o Lobo, obra-prima com que Sergei Prokofieff cumpriu o desígnio pedagógico de introduzir o público infantil às sonoridades particulares de cada instrumento de uma orquestra; o segundo, intitulado Primaveras da Música, dá-nos a escutar, em estreia nacional, a única composição conhecida para orquestra e gamelão, instrumento comunitário tradicional da ilha de Java (Indonésia) que a Casa da Música tem no seu acervo, e a última parte de um ciclo orquestral de Liza Lim em celebração de três mulheres, revelando-nos ainda obras candidatas ao prémio Young Composers Award do World New Music Days, festival da Sociedade Internacional de Música Contemporânea, que este ano se realiza entre Porto (com quatro concertos nos dois principais auditórios da Casa) e Lisboa.

É, igualmente, pela mão da Orquestra Sinfónica que arranca mais um Tributo a Helena Sá e Costa, com o concerto Três Pianos para Mozart, em que os multipremiados solistas Julius Zeman (também no papel de maestro), Mona Azuka e Shun Oi (ambos formados na Mozarteum University Salzburg) interpretam obras essenciais do génio austríaco, incluindo a sua última e mais magistral sinfonia, “Júpiter”. O ciclo de homenagem à pianista, concertista e professora portuense que encantou audiências no mundo inteiro prossegue com uma nova edição da Maratona de Teclistas, já um pequeno “fenómeno” anual da programação da Casa, onde centenas de jovens teclistas oriundos de escolas vocacionais de música, espalhados pelo edifício, mostram ao público o seu talento. Como cereja no topo do bolo, o maior pianista britânico da atualidade, Benjamin Grosvenor, apresenta- se em recital com um programa à altura do lirismo e do brilhantismo técnico que lhe são reconhecidos.

Para algo completamente diferente, não há como desviar os holofotes do regresso dos Tinariwen, lendária banda tuaregue que leva quase meio século a criar e disseminar alguma da mais identitária world music do planeta, interligando filamentos culturais, estéticos e sociopolíticos distintos num tecido sonoro poderoso e hipnotizante. Do sul da Sibéria, perto da fronteira com a Mongólia, vem o quarteto Huun-Huur-Tu, internacionalmente reverenciado pela forma inimitável e fascinante de apresentar o canto gutural. Mas outros nomes, e predominantemente portugueses, assumem um lugar de destaque entre as nossas ofertas de maio. São os casos de Tó Trips & Fake Latinos, MESA, Valter Lobo ou, em áreas diferentes, Luis Magalhães, Mezzoforte e Sond’Ar-te Electric Ensemble, só para citar alguns. O melhor, como sempre, é descobrir tudo nas páginas desta Partitura e fazer as suas escolhas, contemplando as atividades educativas, coloridas, enriquecedoras e de tipologia diversa, e os concertos de entrada livre no Café, reveladores de identidades musicais em ascensão – quem sabe se algumas delas, também, estrelas do futuro.

TÓNICA

Nascida a 26 de maio de 1913 no Porto, cresceu a ouvir música, “música da boa”, como dizia. Neta de Bernardo Moreira de Sá, fundador do Conservatório do Porto e do Orpheon Portuense, era filha dos pianistas Leonilda Moreira de Sá e Costa e Luiz Costa, também compositor. Começou a estudar piano muito cedo, ainda em casa, num ambiente de grande estímulo artístico. Teve depois como mestre Vianna da Motta e, já fora de Portugal e com 20 valores no curso do Conservatório Nacional de Lisboa, foi aluna de Paul Loyonnet, Alfred Cortot e Edwin Fischer, músico com quem fez mais de 40 concertos.