Tempo de Verão
É com o Dia da Criança – num auspicioso clima de festa – que a Casa da Música dá início ao Tempo de Verão, um período de grande alegria e extroversão marcado por uma particular diversidade da oferta musical e onde se multiplicam os eventos de entrada livre. Reina o espírito de abertura e corre no ar a sensação de que há sempre algo para descobrir e experimentar.
Conservatórios, academias e escolas vocacionais de música demonstram perante o público o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo. Alunos e professores apresentam- se em concerto, integrados nas mais distintas formações, para interpretarem programas que percorrem diferentes épocas e correntes da história da música, dando corpo a importantes momentos de celebração de um longo e aturado processo formativo.
É também tempo de acompanhar fases finais de competições musicais. As eliminatórias da categoria principal do 28.º Concurso de Piano de Santa Cecília disputam-se durante uma semana, envolvendo dezenas de pianistas de todo o mundo, após o que os três primeiros classificados se juntam à Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música para o momento da verdade na grande final. O Prémio Internacional Suggia, que traz ao Porto alguns dos jovens violoncelistas mais promissores da Europa, termina igualmente num concerto em que os três vencedores das provas de recital competem pelo troféu ao lado do nosso agrupamento sinfónico. Já o Future Rocks, híbrido entre concurso e festival aberto a alunos e bandas de escolas vocacionais de música que querem mostrar o seu talento nas linguagens do rock, tem também as meias-finais e a final agendadas para este mês de junho. Três convites de natureza distinta endereçados a quem gosta de pôr os ouvidos no futuro.
O ciclo Grande Ecrã prossegue com mais um cruzamento histórico entre a música e o cinema, neste caso convocando a Orquestra Barroca para um concerto em simultâneo com a projeção de Farinelli, o premiado filme de Gérard Corbiau sobre o famoso castrato que arrebatou as principais salas de ópera da Europa no século XVIII e, durante uma década, noite após noite, foi o bálsamo que aliviou a melancolia do rei Filipe V de Espanha.
A Orquestra Sinfónica ressurge em mais duas ocasiões ao longo do mês, a primeira das quais lado a lado com o Coro Casa da Música, num programa precisamente intitulado Coral Sinfónico, em que se destacam canções para ensembles vocais de Johannes Brahms, entre obras de Luís de Freitas Branco e Leoš Janáček. Dias mais tarde, volta ao palco, pela primeira vez sob a direção do maestro açoriano Henrique Constância, com um concerto de entrada livre – feito de partituras célebres do repertório sinfónico – que dá início às celebrações do São João na Casa da Música. Vão ser cinco dias de festa, culminando na noite mais longa e apetecida da cidade com um arraial recheado de projetos estimulantes e apresentado por dois humoristas e músicos de culto popular: Beatriz Gosta e David Bruno.
E há mais duplas a chamar o público para momentos especiais. As brasileiras Anavitória apresentam o seu sexto álbum de estúdio, Clarabóia, em registo voz e violão na Sala Suggia, onde um dia depois é a vez de os irmãos Pedro Moutinho e Hélder Moutinho nos proporem uma homenagem aos muitos poetas portugueses que alimentaram um dos mais emblemáticos patrimónios culturais do país: o fado.
Como sempre, não há verão sem intensa atividade na esplanada. E, em junho, o cardápio é variado: do tributo de Cesar Soares a Ney Matogrosso, uma experiência músico-cénica de grande fulgor, à portugalidade multicultural do som de Luiz Caracol e Pedro Carvalho, passando pelos concertos de apresentação de discos a cargo de Inah, que promove uma fusão de samba, jazz, soul, fado e música africana, e da banda Desire Haze, que navega entre o grunge, o indie rock e a dream pop.
Nota ainda para Sing Together!, um concerto que une o Coro Infantil Casa da Música ao St. Louis Children’s Choirs, num entusiasmante encontro de vozes jovens de diferentes culturas, e para Teoria das Cordas, um projeto da Digitópia que nos mostra como uma simples corda em vibração pode dar origem a uma grande diversidade de formas musicais.
Há, no entanto, muito mais para ver e ouvir em junho na Casa da Música. A melhor opção é percorrer as páginas desta Partitura e listar os momentos que não vai querer perder. Viva o verão!
