26 Agosto, 2025

Partitura Setembro 2025

Consulte e descarregue o Partitura de setembro de 2025

Cumprindo o que já se fez tradição, a Casa da Música volta a celebrar o regresso das férias com um convite a toda a população para que se junte no coração da cidade do Porto – a Avenida dos Aliados – e desfrute de dois concertos imbuídos do espírito que domina a sua programação de setembro: o gosto pelo cruzamento de culturas, a alegria da inclusão, o prazer da partilha. Faz-se ouvir primeiro o Som da Rua, um ensemble verdadeiramente especial, já com mais de 15 anos, resultante de uma parceria entre o nosso Serviço Educativo e instituições do Grande Porto e formado por cidadãos que conhecem, de a viver, a dura realidade das ruas. É um momento de particular emoção, assente num repertório de canções maioritariamente construídas pelo coletivo de participantes. A noite seguinte traz de volta ao trabalho a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, com um programa de pendor festivo que reúne música de tradições populares de diferentes regiões do mundo.

Se este primeiro fim-de-semana, como já foi referido, se repercute na restante programação do mês, a primeira narrativa de setembro chama-se mesmo Repercussões, isto porque faz dos instrumentos de percussão o denominador comum dos três concertos que a preenchem, envolvendo dois agrupamentos residentes da Casa – Orquestra Sinfónica e Remix Ensemble – e percussionistas de craveira internacional. O 4.º Módulo do 16.º Curso Livre de História da Música, com sessões nas três últimas segundas- feiras de setembro, tem como título “O Timbre e o Ritmo” e dedica- -se igualmente à linguagem da percussão.

Considerado o concerto para piano mais difícil do mundo, o 3.º de Rachmaninoff, que o próprio estreou em Nova Iorque, é agora confiado ao jovem pianista chinês Zeyu Shen, vencedor da edição deste ano do Concurso Internacional de Lyon, que o interpreta duas vezes com a Orquestra Sinfónica – a última das quais num concerto comentado pelo compositor e musicólogo Daniel Moreira. A Orquestra Barroca está também de regresso, apresentando obras do Barroco tardio para três solistas e agrupamento, em que se incluem os concertos que Bach dedicou a três cravos, além de dois dos seus célebres Concertos Brandeburgueses.

Noutros contextos da música, há uma mão cheia de nomes a destacar, também eles com um denominador comum: as nomeações para o Grammy Latino. Mariana Aydar, Valeria Castro, Diego Guerrero e Estrella Morente & Rafael Riqueni representam géneros diferentes – do forró ao flamenco, passando pela world music – mas partilham todos nos respetivos currículos aquela distinção. A eles soma-se ainda Knower, reverenciada dupla norte-americana de jazz-funk eletrónico.

A encimar a presença portuguesa está a figura imperecível de Carlos Paredes. “O homem dos mil dedos” é o título do concerto que nos permite escutar 12 obras do grande mestre da guitarra portuguesa transcritas para formatos inéditos. Pelos palcos da esplanada e do café passam também, em concertos de entrada livre, propostas reveladoras do que de bom e diverso se vai fazendo no país – mas não só. E a fechar o mês ouve-se o fado, na voz da jovem promessa Sara Sousa.

Estas são algumas das principais notas de setembro na Casa da Música. Todavia, como afirmaram vários grandes compositores ao longo da História, “a música é o espaço entre as notas”. Daí que o melhor seja, por agora, folhear as páginas desta Partitura e depois, claro, juntar-se a nós para apreciar aquilo que interessa.