De Todos para Todos

São quatro concertos ao ar livre em diferentes pontos da Área Metropolitana do Porto, com repertórios muito diversificados e que fogem ao que por norma se espera de uma formação sinfónica. Os músicos da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música voltam a sair à rua este verão, para noites em que se cruzam diferentes estilos e inspirações musicais. Há fado e jazz, mas também música do século XIX e versões de temas da música popular brasileira, uma oportunidade ímpar para ouvir e sentir a versatilidade de instrumentos que estão habitualmente ao serviço da música erudita.
O primeiro programa acontece a 12 de julho e leva a Vila Nova de Gaia a fadista Cristina Branco, que se junta à Sinfónica para mostrar que o fado também pode ter um formato sinfónico. Com arranjos do pianista e compositor Mário Laginha, e direção musical do eclético maestro Jan Wierzba, o concerto Arrábida Sinfónica promete surpreender o público através do modo como a tradição portuguesa vai ao encontro das raízes folclóricas de outras geografias, com a voz inconfundível da cantora.
O repertório faz-se com obras de Frederico de Freitas, Antonin Dvořák, Emmanuel Chabrier, Béla Bartók, Joaquín Turina e Mário Laginha. São danças ribatejanas, espanholas, eslavas ou húngaras, escritas em tempos diferentes, bem demonstrativas da transversalidade da música.
Uma semana depois, na Maia, sob a batuta de José Eduardo Gomes, a Orquestra Sinfónica percorre algumas das peças mais importantes do repertório francês, atravessando diferentes linguagens e períodos do século XIX ao início do século XX.
Do tom cerimonial da Fanfarra de Paul Dukas às cores vibrantes de Carmen, de Georges Bizet, passando pela Danse Bacchanale de Saint-Saëns, o programa que a Sinfónica preparou para a Maia termina com o Bolero de Ravel, bailado quase centenário de pendor experimentalista que continua a ser a mais emblemática obra do compositor francês.
Para o dia 24 de julho está agendada uma noite totalmente diferente, com a Sinfónica a ir ao encontro do Matosinhos em Jazz munida de uma série de temas da música popular brasileira arranjados para orquestra.
O concerto arranca com a Suite Brasileira de Alexandre Levy, compositor brasileiro do século XIX considerado o responsável pela apresentação do samba às elites da época. A celebrar o verão, a orquestra avança com temas de Tom Jobim (Insensatez, Dindi, Garota de Ipanema e Sinfonia da Alvorada), recupera a obra de Pixinguinha (Rosa, Carinhoso e Um a Zero), de Noel Rosa (Com que Roupa) e de Ary Barroso (Aquarela do Brasil), num repertório onde cabe ainda Vambora de Adriana Calcanhoto. É um programa que conta com vários músicos convidados – João Ferreira (piano), Gonçalo Cravinho (contrabaixo) e João Cunha (percussão) – e em que se vai ouvir A Escolha de Gileno Santana (fliscorne e trompete), que também estará presente em palco. A orquestra é dirigida por Fernando Marinho.
Já no início de setembro, no dia 6, a Sinfónica regressa aos Aliados para um concerto que explora diferentes épocas e geografias musicais, e que vai da enérgica Abertura Festiva de Chostakovitch às quatro danças da Suite de Estancia de Ginastera. A orquestra interpreta também a Abertura da ópera O barão cigano, de Johann Strauss II, e transporta o público para paragens contrastantes com os Quadros Húngaros de Béla Bartók e a Abertura Cubana de George Gershwin.
Nos quatro concertos de verão, a entrada é livre.
QUANTOS INSTRUMENTISTAS TEM UMA ORQUESTRA SINFÓNICA?
Este tipo de agrupamento pode contar com mais de 100 músicos em palco, dependendo da obra executada. A nossa orquestra tem um efectivo base de 94 instrumentistas, mas em alguns concertos são necessários mais de 120.
AS FAMÍLIAS DA ORQUESTRA
Uma formação sinfónica é composta por quatro famílias principais de instrumentos: cordas, madeiras, metais e percussão. Cada uma delas tem características sonoras diferentes e é da sua combinação que resulta a textura da música orquestral.
O QUE É UM NAIPE DE ORQUESTRA?
Os diferentes músicos dividem-se em naipes, designados pelo tipo de instrumentos que incluem – flautas, trompetes, violas, percussões, etc. Cada um destes grupos tem um líder, a quem chamamos de chefe de naipe.
VIOLINOS NO TELHADO
O maior grupo da orquestra é o dos violinos, muitas vezes com 30 ou mais músicos. É um naipe fundamental para a condução da melodia.
E O MAESTRO?
Apesar das partes de cada um dos instrumentos se encontrar escrita numa partitura, o maestro ajuda na coordenação entre todos eles. Cabe-lhe decidir questões como a velocidade, as dinâmicas e muito mais.