29 Setembro, 2025

Partitura · Outubro 2025

Agenda de outubro 2025

Para quem quer entrar em outubro com o pé direito e não sabe ainda o que fazer, aqui fica a sugestão: celebre connosco o Dia Mundial da Música, no sítio mais apropriado – a Casa dela. À sua espera temos Con Brio, um espetáculo de rua onde a arte dos sons e o circo contemporâneo comemoram a data em união criativa. Fica dado o mote para dois outros festejos importantes que se realizam ao longo do mês: os 25 anos da Orquestra Sinfónica e do Remix Ensemble. O agrupamento mais antigo da Casa, cuja história prévia se escreveu sob o nome de Orquestra Nacional do Porto, dedica três concertos ao aniversário, iluminados pela música vienense dos séculos XVIII, XIX e XX e com a estreia nacional de uma obra de Liza Lim, atual compositora em residência, que convoca o aclamado violoncelista Nicolas Altstaedt. Já a formação de música contemporânea assinala o quarto de século interpretando, ao lado do tenor Christoph Prégardien, uma obra-prima do lied romântico, A Bela Moleira, de Schubert, numa versão de Johannes Maria Staud. Outro dos nossos ensembles, o Coro, pela primeira vez sob a batuta de Krista Audere, uma das mais saudadas maestrinas da Europa, apresenta um programa evocativo dos elementos da Natureza. Ainda no espectro da música erudita, há a salientar o recital da jovem e multipremiada pianista arménia Eva Gevorgyan, com música emblemática do Romantismo, assinada por figuras-chave como Chopin, Brahms e Schumann. E, já que se fala de chave, é de ouro a que fecha o mês, novamente pela mão da Orquestra Sinfónica: a quinta e mais famosa sinfonia de Mahler.

O Outono em Jazz, festival que tem sempre lugar marcado nesta altura do ano, regressa com um cartaz intergeracional em que coabitam artistas consagrados e vozes emergentes – do trio do lendário contrabaixista Dave Holland ao ensemble do “Duke Electronington” da cena holandesa, Tijn Wybenga, passando pelo encontro entre Maria Luiza Jobim (filha de Tom Jobim) e António Zambujo, sem esquecer nomes na vanguarda da improvisação, como o quarteto de Luís Vicente, John Dikeman, John Edwards e Hamid Drake, ou projetos emergentes cuja veia disruptiva merece todo o foco.

Em distintas áreas da música, são múltiplas as propostas tentadoras distribuídas pelo mês inteiro: os irlandeses God is An Astronaut estão de volta para apresentar o recém-editado, e já muito elogiado, Embers; novo álbum (co-produzido por Nils Frahm) tem também Ganavya, cantautora de voz profunda nascida em Nova Iorque e criada no estado indiano de Tamil Nadu; o pianista cubano Gonzalo Rubacalba e o bandolinista brasileiro Hamilton de Holanda trazem até nós o projeto COLLAB; cruzando o piano, a eletrónica ambiental e a música clássica, o compositor e pianista australiano Luke Howard estreia-se nos palcos nacionais; o ensemble feminino de jazz ARTEMIS defende ao vivo o novo Arboresque, com chancela da mítica Blue Note; Lena d’Água, Miramar e Maria Ana Bobone estão aí para representar, ao melhor nível, a diversidade da música popular portuguesa; e há muito mais por descobrir nas páginas que se seguem.

Menção final justificam as atividades educativas, com espetáculos e oficinas de irresistível apelo lúdico-didático, e os concertos de entrada livre no palco do Café, sempre à quinta-feira. Venha a música!

TÓNICA

Outubro é um mês de celebração na Casa da Música. Dois dos seus agrupamentos residentes – a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e o Remix Ensemble – assinalam marcos importantes: 25 anos de vida em formação sinfónica e 25 anos de exploração da música contemporânea, respetivamente. Dois percursos paralelos que traduzem a pluralidade artística da Casa e a forma como esta se afirma enquanto referência nacional e internacional.