Para Ler / 27 Novembro, 2025

Raízes / Ressonâncias

O tema Raízes/Ressonâncias é o fio condutor da temporada de
2026.

O tema Raízes/Ressonâncias é o fio condutor da temporada de 2026. Ao longo do ano, a Casa da Música convida a descobrir como as raízes populares da música ressoam nas propostas dos seus agrupamentos residentes, na programação de música popular e nas atividades educativas.

Na área da música erudita, exploramos um conjunto de compositores que, particularmente no século XX, mergulharam nas suas raízes e nas tradições populares com vista à regeneração da sua linguagem musical. Procuravam assim afastar-se do romantismo tardio, recusando, contudo, as abstrações radicais. Entre figuras como Bartók, Kodály, Falla, Stravinski, Ginastera e Berio, a Casa da Música dá especial destaque a Heitor Villa-Lobos, nome central da música lusófona que representa um paradigma do músico erudito atento à cultura popular e em busca constante pelas suas raízes. Os agrupamentos da Casa apresentarão algumas das suas obras, incluindo a integral da famosa série Bachianas Brasileiras. A partir deste mote, lançamos uma ponte para as releituras da obra de Bach, fonte de inspiração constante para Villa-Lobos e tantos outros. Ao longo da temporada, ouviremos também compositores que partilharam este mesmo impulso de reencontro com as origens: Brahms, Schumann, Grieg, Johann Strauss, Dvořák, Lopes-Graça, Britten, entre muitos outros.

Esta orientação inspira igualmente a programação de música popular, com especial enfoque nos artistas que procuram ressonâncias entre a tradição e a contemporaneidade. Nomes como emmy Curl, CONAN OSIRIS, Sétima Legião, Expresso Transatlântico, Avishai Cohen, Chico César, entre muitos outros, convidam-nos a escutar o passado com ouvidos do presente.

RESSONÂNCIAS: VILLA-LOBOS

Compositor em destaque ao longo da temporada, o brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) é uma referência da música do século XX, com raízes na tradição e na consciência ecológica. Ele foi o grande sintetizador das tradições populares brasileiras e da linguagem erudita europeia, criando uma música de identidade nacional e alcance universal. A sua obra, exuberante e singular, une Bach à floresta amazónica, o folclore à modernidade. Ao longo deste ciclo, a Casa da Música apresenta uma raríssima integral das Bachianas Brasileiras, interpretadas em diferentes momentos pela Orquestra Sinfónica, pelo Remix Ensemble e por um ensemble de violoncelos. Além desta importante série de nove peças para formações distintas, onde encontramos uma mistura de material folclórico com formas associadas à música de Bach, várias outras criações de Villa-Lobos surgem nos programas do Coro Casa da Música, do Serviço Educativo e de diferentes concertos. Destaca-se ainda a interpretação do Concerto para guitarra, por Alice Brandão e pela Orquestra Sinfónica, e da monumental Floresta do Amazonas, com cenografia da artista visual Bianca Dacosta, cujas imagens refletem as questões vitais e simbólicas com que os espaços amazónicos confrontam a realidade atual.

“O COMPOSITOR DEVE SER COMO UM RIO: NASCE DAS MONTANHAS DO PASSADO, MAS CORRE EM DIREÇÃO AO MAR DO FUTURO” —VILLA-LOBOS

RESSONÂNCIAS: BACH

Em profunda ligação com o ciclo dedicado a Villa-Lobos, a música de Johann Sebastian Bach é também uma presença constante na temporada. A genialidade do compositor alemão manifesta-se com grande destaque na Paixão segundo São João, uma obra fundamental do Barroco que convoca uma reunião do Coro e da Orquestra Barroca no período pascal. Os dois agrupamentos regressam a Bach em diferentes concertos ao longo da temporada e juntam-se novamente em dezembro para interpretar as Cantatas de Natal. Retomando um projeto que marcou anos anteriores, a Barroca reencontra-se com o Remix Ensemble para abordar A Arte da Fuga, num programa que coloca lado a lado uma interpretação historicamente informada e uma recomposição contemporânea da obra assinada por Johannes Schöllhorn. O repertório de Bach surge ainda em recitais do Ciclo Piano e atividades do Serviço Educativo, além de inspirar outros géneros musicais.

RESSONÂNCIAS: BRAHMS

Figura central do Romantismo alemão, Johannes Brahms escreveu quatro concertos para solistas e orquestra que revelam a alma romântica em toda a sua grandeza. Neste ciclo, a Orquestra Sinfónica interpreta-os ao lado de instrumentistas de relevância internacional: os pianistas Joseph Moog e Martin Helmchen, as violinistas Elli Choi e Liya Petrova e o violoncelista Victor Julien-Laferrière. O retrato de Brahms completa-se com obras corais e sinfónicas que refletem a profundidade e o lirismo do compositor, como o raro Schicksalslied e a luminosa Sinfonia n.º 2, verdadeira celebração da natureza e da plenitude romântica.

RESSONÂNCIAS: HÈCTOR PARRA
Hèctor Parra
Hèctor Parra. Photo : Amandine Lauriol

A residência do compositor catalão Hèctor Parra estende-se por dois anos, sendo o primeiro dedicado à divulgação de algumas das suas principais obras junto do público português. Quatro das peças programadas para concertos da Orquestra Sinfónica e do Remix Ensemble revelam a sua especial relação com outras disciplinas artísticas: a literatura, a ciência e as artes plásticas. Já Inscape junta aqueles dois agrupamentos, ao passo que Orgia – Irrisorio alito d’aria, obra inspirada em Pasolini, reúne a Orquestra Barroca e o Remix Ensemble. A residência artística de Hèctor Parra estende-se ainda à Digitópia, em mais uma edição do Porto Electronic Music Symposium.

CICLO PIANO

São vários os pianistas com carreiras internacionais de relevo que vêm este ano pela primeira vez à Casa da Música: o francês Lucas Debargues, o georgiano Giorgi Gigashvili, os irmãos holandeses Lucas e Arthur Jussen e o pianista espanhol Javier Perianes. Perianes assinala a efeméride Manuel de Falla, colocando a produção do compositor espanhol lado a lado com a obra de Chopin e enquadrando-se no tema Raízes/Ressonâncias. Os irmãos Jussen apresentam versões a quatro mãos de obras muito populares do repertório e dão destaque à criação contemporânea. Já Giorgi Gigashvili dá a conhecer uma nova encomenda da ECHO à compositora Natalie Beridze, num sinal do comprometimento da Casa da Música para com o apoio à criação contemporânea e à circulação internacional de novas obras. O recital de Debargue inclui música com inspiração literária e será precedido de uma conversa em estilo de guia de audição, como forma de aproximar o público das ideias dos compositores em programa. A variedade de repertório de todo o espectro pianístico completa-se pela mão de nomes consagrados como Grigory Sokolov, Vadym Kholodenko ou Lise de la Salle, que interpretam obras nunca antes escutadas na Casa da Música, e do pianista português Nuno Cernadas, premiado pela crítica internacional em virtude da sua abordagem singular à obra de Alexander Scriabin.

GRANDE ECRÃ

Sete concertos dedicados ao grande ecrã preenchem este novo ciclo, em que clássicos absolutos do cinema mudo como O Grande Ditador de Charles Chaplin e Metropolis de Fritz Lang são exibidos com acompanhamento musical ao vivo por, respetivamente, Orquestra Sinfónica e Remix Ensemble. Já a Orquestra Barroca interpreta a banda sonora original de Farinelli de Gérard Corbiau em simultâneo com a projeção do filme. Além destes cine-concertos, a Orquestra Sinfónica apresenta um concerto de música de videojogos e uma criação visual de Bianca Dacosta para a epopeia musical A Floresta do Amazonas, de Villa-Lobos. O Serviço Educativo preparou também dois espetáculos especiais para este ciclo: Sussurros do Mar, inspirado na música de Debussy; e O Último Canto dos Pássaros, construído a partir de gravações reais de aves de todo o mundo, sons eletrónicos e visuais criados pela artista residente Bianca Dacosta.

CICLO JAZZ

O Ciclo Jazz oferece ao longo da temporada concertos de tipologia diversa por nomes consagrados e novos projetos nacionais e internacionais. Destaca-se o regresso da Orquestra Jazz de Matosinhos, que mantém uma relação de parceria com a Casa da Música, bem como as propostas enquadradas no programa Geração Casa (Novos Valores, Concertos no Café e Future Jazz). Outros nomes já confirmados são Avishai Cohen Quintet e Gogo Penguin. O festival Estação do Jazz é um ponto alto do Ciclo e assinala o centenário de John Coltrane e Miles Davis.

Pop-rock, world music, música popular portuguesa, música popular brasileira, eletrónica, são múltiplos os géneros que percorrem a temporada. Entre os nomes já confirmados incluem-se Patrick Watson, Militarie Gun + Spite House, Mafalda Veiga, Wim Merters, Paulo Flores, The Divine Comedy, Leo Middea, Expresso Transatlântico, Joe Jackson, Chico César, Black Sea Dahu, além dos concertos associados ao festival Misty Fest.

FESTIVAL RESSONÂNCIAS: ABERTURA DA TEMPORADA

Em duas semanas de janeiro, o festival de abertura da temporada agrega todas as forças da Casa da Música. Orquestra Sinfónica, Remix Ensemble, Orquestra Barroca, Coro, Coro Infantil, Serviço Educativo e projetos ligados à música popular demonstram as várias declinações e possibilidades do fio condutor para este ano, Raízes/Ressonâncias. Enquadrado pela instalação “Raiz Popular” da Digitópia, que explora a riqueza e diversidade das melodias populares de diferentes culturas através de um piano Disklavier, o festival arranca com um concerto da Orquestra Sinfónica, assinalando o início da residência de Hèctor Parra e da integral dedicada às Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos. Também o Remix Ensemble se aventura pela música do Compositor em Residência, enquanto o Coro parte à descoberta da obra de Villa-Lobos e a referencia na grande inspiração do compositor brasileiro, Johann Sebastian Bach. A Orquestra Barroca visita um programa de raiz folclórica. Momentos altos do festival são ainda o aguardado regresso de Conan Osiris, após seis anos longe dos palcos, e o concerto comemorativo dos 50 anos de carreira de Vitorino. A não perder de vista, também, o lançamento dos novos formatos de programação Café com Nata e Geração Casa, além de encontros e conferências que promovem o contacto entre público e artistas.

DIAS DA GUITARRA

Novidade absoluta na programação da Casa da Música, este novo festival inclui uma Maratona de Guitarristas e uma noite especial em que a Orquestra Sinfónica apresenta três concertos para guitarra e orquestra. Pelas mãos do virtuoso escocês Sean Shibe e da portuguesa Alice Brandão, serão interpretados o célebre Concierto de Aranjuez de Rodrigo, o Concerto de Villa-Lobos e a estreia nacional de um novo concerto para guitarra elétrica e orquestra, de Mark Simpson. Masterclasses, ateliers, recitais e concertos de música popular completam a oferta vibrante destes dias dedicados a um dos instrumentos mais amados.

TEMPO DE PÁSCOA

Um momento de pura elevação, com três obras que evocam o mistério pascal: uma suite orquestral de Parsifal de Wagner, hino à força transformadora do espírito humano; A Paixão segundo São João de Bach, drama espiritual de intensidade arrebatadora; e Couleurs de la Cité céleste de Messiaen, visão sonora de fé e luz transcendental. O festival celebra também a primavera e a juventude, com o virtuosismo de Elli Choi no Concerto para violino de Brahms, a energia brilhante da Sinfonia n.º 1 de Chostakovitch e o impulso criativo de compositores e intérpretes portugueses.

FESTIVAL PRESS START

Um mergulho entusiasmante no universo da cultura pop. A primeira edição deste novo festival celebra a energia criativa da animação e da arte digital em diálogo com a música. A Orquestra Sinfónica dá vida à música de videojogos num concerto imperdível, enquanto a Digitópia apresenta uma instalação imersiva inspirada neste universo. Propostas diversas fazem da Casa um ponto de encontro entre o ideário pop, a imaginação e a inovação.

ESTAÇÃO DO JAZZ

A energia e a liberdade criativa do jazz fazem vibrar a Casa da Música neste festival de outono, numa celebração sem fronteiras de estilo e com foco na improvisação e nos cruzamentos de influências. O alinhamento completo será oportunamente divulgado, podendo desde já destacar-se o concerto que junta no mesmo palco a Orquestra Sinfónica e a Orquestra Jazz de Matosinhos, levando as sonoridades da big band para uma outra dimensão. Também o Coro Casa da Música participa com um programa marcado pelo swing, surpreendendo-nos nesta celebração em que toda a Casa respira jazz. O festival tem como ponto alto a celebração do centenário de Miles Davis e John Coltrane.

TEMPO DE ENCONTROS

A Casa da Música é o lugar privilegiado dos cruzamentos, das descobertas e das experiências artísticas que desafiam fronteiras e despertam novas escutas. São estes os princípios que norteiam Tempo de Encontros, em que agrupamentos com personalidades diferentes partilham concertos e se juntam em palco. Mahler, Debussy ou Bach encontram-se com compositores do nosso tempo como Hèctor Parra, Compositor em Residência na Casa da Música. O Remix Ensemble partilha dois concertos com a Orquestra Barroca e outros dois com a Orquestra Sinfónica, com programas que incluem obras escritas por Parra para serem tocadas por duas formações distintas no mesmo palco.

FESTIVAL AMAZÓNIA

Como ponto culminante do ciclo dedicado a Heitor Villa-Lobos, a Orquestra Sinfónica apresenta o grandioso quadro sinfónico Floresta do Amazonas. Para esta ocasião, a Casa da Música convidou a jovem artista visual brasileira Bianca Dacosta a criar uma encenação original inspirada na Amazónia, território mítico e símbolo maior dos desafios ambientais, espirituais e sociais do nosso tempo. Durante uma semana inteiramente dedicada ao universo amazónico, a Casa transforma-se num espaço de reflexão e criação, com conferências, encontros, prelúdios musicais, projeção de documentários, concertos de música popular e uma instalação imersiva da Digitópia em colaboração com Bianca Dacosta. Um festival que une arte, natureza e consciência num só gesto poético.

TEMPO DE NATAL

Para lá do seu significado religioso, o Tempo de Natal sugere um momento privilegiado para o reencontro, a partilha e a celebração de valores universais que nos unem através da música: a emoção e a esperança. O festival inicia-se com um concerto para famílias e traz-nos concertos do Coro, da Orquestra Barroca, da Orquestra Sinfónica e do Coro Infantil. Estes dois últimos agrupamentos apresentarão O Quebra-Nozes de Tchaikovski, com ilustrações em areia realizadas ao vivo e projetadas no grande ecrã.