Sala Suggia

Pisos 2 a 4
Capacidade: 1238 lugares

Considerada o coração da Casa da Música, a Sala Suggia – assim baptizada em homenagem à violoncelista portuense Guilhermina Suggia, expoente mundial do instrumento na primeira metade do século XX - serve de âncora a todo o edifício, permitindo que os principais percursos se desenhem à sua volta. Com sete janelas que a ligam quer ao exterior quer a outros espaços, proporcionando diferentes ângulos de visão, é o único concert hall do planeta onde se pode tocar música exclusivamente com luz natural, suficiente para a leitura de partituras. Centenas de auditórios em todo o mundo optaram por ter aberturas, janelas, claraboias ou fenestrações de palco, mas nenhum chega à luminosidade deste.

 

As artes decorativas e os períodos fundamentais da história da música ocidental merecem especial deferência na Sala Suggia, o que salta à vista em exemplos como a talha dourada ou os órgãos de tubos. Tais evocações convivem e dialogam com um conjunto de elementos de indisfarçável contemporaneidade, em que se inscrevem a canópia, a sala de régie ou a ponte de manutenção.

 

A acústica do auditório principal é, reconhecidamente, de excelência. Todos os materiais de revestimento foram escolhidos com essa preocupação: contraplacado de pinho nórdico para paredes e tecto; vidro curvo para compensação e divergência de ondas sonoras; e um tecido para as cadeiras que imita a presença humana até 70% de ocupação da sala. Numa comparação directa com o Concertgebouw, em Amesterdão, o Grosser Musikverein, em Viena, ou o Auditório da Sinfónica de Boston, todas com o formato shoe box [caixa de sapatos], a Sala Suggia apresenta um som mais claro e distinto, o que se nota sobretudo na propagação de notas agudas. Foi, de resto, pela exigência de obter o tempo de reverberação ideal para um concert hall – aproximadamente 2 segundos - que se prescindiu do fosso de orquestra e da torre de cena, com os quais a performance acústica ficaria reduzida em cerca de 30%. Sempre que surge a oportunidade de apresentar uma ópera ou um espectáculo que ocupe todo o palco, imita-se a função de um fosso removendo as quatro primeiras filas da plateia.

 

Ao contrário do que acontece com auditórios exclusivamente dedicados à música clássica e sinfónica, a Casa da Música também alberga outros géneros, daí a Sala Suggia possuir galerias para equipamento técnico de luz acima do tecto e uma ponte de manutenção que o atravessa, podendo ainda deslizar sobre ele. A distribuição equitativa de som faz com que todos os lugares da sala sejam excelentes. 

 

A disposição das cadeiras, sem coxia ou corredor central de distribuição, proporciona um acesso harmonioso a todos os lugares sentados. Com esse intuito foi desenvolvido, nos assentos, o mecanismo de deslize, que permite a uma pessoa atravessar uma fila inteira de cadeiras sem que ninguém tenha de se levantar. Também por isso, numa situação de emergência a evacuação da sala é feita em tempo recorde.